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Basílica

Basílica

O templo atual vem substituir o anterior, concebido em vida de 
D. Rodrigo de Moura Teles, demolido em 1788. Este prelado bracarense contribuiu para o engrandecimento da estância, custeando uma nova Igreja, segundo um projeto do arquiteto Manuel Pinto de Vilalobos, que se situava no largo do Pelicano.

Este pequeno, elegante e circular templo de estilo italiano, renascentista, de arquitetura perfeita, era uma construção elipsoidal, de forma arredondada, com oito pilastras salientes em contraforte. As obras do templo foram dadas como concluídas em 1725. Sob a cornija, uma alta e rendilhada varanda de pedra, com oito anjos de grande estatura assentes no peitoril.

O mapa de Carlos Amarante (sem o último lanço do escadório, com o templo de D. Rodrigo sustentado com escoras) ajuda a localizar a respetiva Igreja, entre o Escadório das Virtudes e a fonte do Pelicano, numa linha de evolução da arquitetura barroca, com o abandono das plantas de cruz latina e adoção dos planos circular ou elítico, denunciando a estrutura setecentista do santuário. Carlos Amarante, na legenda do mapa, descreve o templo de D. Rodrigo: «Acha-se em ruína e sem remédio, Na capela-mor está o calvário, e nele o Bom Jesus Crucificado, Maria Santíssima, a Santa Maria Madalena abraçada na Cruz, o Evangelista, as Marias, Longuinhos, vários soldados e dois jogando a túnica, num altar colateral, além de muitas e preciosas relíquias, engastadas em meios corpos, está a cruz do Santo lenho e o corpo organizado do mártir S. Clemente».

O atual santuário, da autoria do genial arquiteto bracarense Carlos Amarante, é um significativo exemplar e uma das primeiras edificações do neoclássico português.

A primeira pedra foi lançada no dia 1 de junho de 1784, no tempo do pontificado do arcebispo-príncipe D. Gaspar de Bragança, devido à benemerência do bracarense Pedro José da Silva, que colocou a última pedra do templo em 20 de setembro de 1811, mas cuja sagração ficaria reservada para 10 de agosto de 1857. O local foi escolhido pelo arcebispo D. Gaspar de Bragança, por detrás da Igreja velha e num plano imediatamente superior.

Na sessão de mesa da confraria do dia 1 de julho de 1781, indicam-se, claramente, os motivos da construção da nova Igreja: porque a anterior capela prometia pouca duração; as paredes não aguentavam a abóbada; não cabem todos os romeiros que acorrem ao santuário por causa do jubileu; não oferece ao povo que vem àquele santuário a vista e é incómoda aos peregrinos.

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A fachada, de arquitetura singular, caracteriza-se pelas linhas sóbrias, por superfícies lisas, onde o classicismo dos frisos e molduras se prolongam nos corpos laterais, um pouco recuados.

Junto à porta principal ressaltam, lateralmente, dois nichos de volta perfeita, encimados de frontais triangulares, no interior dos quais se encontram duas estátuas monolíticas dos profetas da paixão Jeremias e Isaías, que foram modeladas e concebidas por Manuel Joaquim Álvares e Sousa Alão (um dos mestres de São Francisco do Porto). Este escultor é, igualmente, autor das estátuas dos quatro evangelistas do varandim da fachada do templo.

A fachada rebocada e pintada de branco é percorrida por socos em cantaria, flanqueados por cunhais apilastrados e rematadas por duplos frisos e cornijas com pináculos, em forma de fogaréus no transepto e lanternim. Na fachada principal vislumbram-se três panos, as três ordens clássicas da arquitetura, assim definidos:

– no registo inferior, que vai até ao entablamento, sobressai um pórtico neoclássico franqueado por quatro majestosas colunas toscanas, dóricas, de granito, que sustentam uma varanda e seus plintos. No primeiro corpo, rasgam-se duas janelas, por cima das quais outras tantas lápides de mármore, dedicadas pela cidade de Braga ao arquiteto Carlos Amarante e a da direita a Pedro José da Silva, grande impulsionador desta obra;

– no registo seguinte, no segundo corpo, quatro janelas elegantes rasgam a fachada à altura da varanda tendo ao centro um grande janelão, com bandeira semicircular. Quatro pilastras jónicas com fustes lisos alternam com o janelão e as duas janelas centrais. Nas quatro colunas assenta uma varanda balaustrada, sobre a qual estão as esculturas dos quatro Evangelistas com os respetivos símbolos, modeladas por Manuel Joaquim Alvares de Sousa e executadas por José Domingues: S. Marcos com um leão; S. Mateus com um anjo; S. Lucas com um touro e S. João com uma águia;

– no registo superior, onde predomina a ordem coríntia, surgem as torres sineiras, ligeiramente recuadas, com coberturas em coruchéus bolbosos, com altos campanários ou ventanas e cúpulas de arquitetura elegante e recorte barroco que contraria a horizontalidade da fachada. A torre esquerda com um jogo de sinos oferecidos pelo benfeitor Pedro José da Silva, a torre direita com os sinos do templo de D. Rodrigo, entretanto demolido. Este terceiro corpo da fachada remata em frontão triangular, com dentículos na empena, friso liso, singela cruz latina sobre o vértice, evocando o culto ancestral. Do tímpano ressaltam os símbolos da paixão, as escadas do descimento da cruz, no centro um escudo com as cinco chagas, tenazes, chicotes, cordas, martelo, espada, coroa de espinhos, palmas e o símbolo de Roma (SPQR, que quer dizer o Senado e o Povo Romano).

Figura, ainda, na frontaria do templo o brasão real de D. João VI, que concedeu ao santuário honras e prerrogativas das misericórdias e o tomou sob a sua «Real e Imediata Proteção», por alvará de 29 de julho de 1822, figurando, por esta razão, o seu retrato na galeria dos benfeitores do santuário.

 

Na exterior e na fachada principal da basílica abundam as inscrições:

– na porta lateral esquerda: «FOI LANÇADA A PRIMEIRA PEDRA DESTE TEMPLO NO 1º DE JUNHO DE 1784»;

– na parede lateral voltada para a casa das estampas: «HOMENAGEM DA CONFRARIA DO BOM JESUS DO MONTE AO GRANDE BENEMÉRITO PEDRO JOSÉ DA SILVA, NO 1º CENTENÁRIO DO SEU FALECIMENTO, 17 DE MARÇO DE 1934»;

– na parede sineira, lado esquerdo da fachada, por cima da janela inferior: «AO ENGENHEIRO CARLOS LUIZ FERREIRA DA CRUZ AMARANTE, NATURAL DE BRAGA, ARCHITECTO D’ESTE TEMPLO, NO 1.º CENTENARIO DA SUA EDIFICAÇÃO, A CIDADE DE BRAGA»;

– sobre a janela inferior da torre, uma lápide referente ao primeiro centenário do templo: «ANNO DOMINI MDCCCLXXXIV, DIE VERO I JUNI, MAGNO SPLENDIDOQUE APPARATU RELIGIOSO CELEBRATUM EST I FESTUM CENTENARIUM AB HAC ECCLESIA CONDITA, SUB FAUSTIS AUSPICIIS D. D. ANTONI JOSEPH DE FREITAS HONORATO. ARCHIEPISCOPI AC DOMINATORIS BRACARAE AUGUSTAE, HISPANIARUM PRIMATIS, QUEM TOTA ARCHIDIOECESIS STUDIOSE REVERENTER AC PERAMANTER SEQUITA EST»; «Ano do Senhor de 1884, dia 1 de junho, celebrou-se com grande e esplêndido aparato a festa do centenário desta Igreja, sob o auspício de D. António José de Freitas Honorato, Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Espanhas: a quem toda a Arquidiocese diligente e reverentemente seguiu com muito afecto»;

– do lado esquerdo do brasão de armas de D. João VI: «MONS. IN QUO BENEPLACITUM EST DEO HABITARE IN EO : ETENIM DOMINUS HABITABIT IN FINEM – Psalm. 67.17»; «monte em que se agradou Deus de morar, porque o Senhor morará nele até ao fim»;

– sobre o nicho de Jeremias e sobre o nicho de Isaías: «STUDIO, CURA AC DILIGENTIA SERENISSIMI D. GASPAR BRIGANTINI AECHIEPISCOPI ET DOMINATORIS BRACARAE AUGUSTAE, HISPANIARUM PRIMATIS, ERECTUM EST, PAULO SUPERIUS JUXTA VETUS, HOC»; «TEMPLUM QUOD NE EX FUNDAMENTIS QUIDEM SURGERET, NISI MAGNUS ARCHIEPISCOPUS IN EO EXTRUENDO MAGNOPERE ADLABORARET. AD PERPETUAM REI MEMORIAM – M.DCCC.LXXXIV»; «Por devoção, cuidado e diligência do sereníssimo D. Gaspar de Bragança, Arcebispo e Senhor de Braga, se erigiu, um pouco acima do velho, este»; «templo, que decerto não pudera surgir de raiz, se em edificá-lo se não aplicasse magnanimamente o grande arcebispo. Para perpétua memória desse feito – 1884».

– sob a escultura de Jeremias, no entablamento: «AUDITE VERBUM DOMINI QUI INGREDIMINI PER PORTAS HAS UT ADORETIS DOMINUM – JEREM CAP 7 V. 2»; «ouvi a palavra do senhor, vós que entrais por estas portas para adorar o Senhor»;

– sobre o portal axial: «ET ERIT IN NOVISSIMIS DIEBUS PRAEPARATUS MONS DOMUS DOMINI IN VERTICE MONTIUM, ET ELEVABITUR SUPER COLLES, ET FLUENT AD EUM OMNES GENTES – Isai. cap. 22»; «e nos últimos dias estará preparado o monte da casa do senhor no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele todas as gentes»;

– do lado direito do brasão de armas de D. João VI: «EXALTATE DOMINUM DEUM NOSTRUM ET ADORATE IN MONTE SANCTO EJUS – Psalm. 98.9»; «exaltai ao Senhor nosso Deus, e adorai-o no seu monte santo»;

– sob o nicho do profeta Isaías: «VIDEBITIS, ET GAUDEBIT COR VESTRUM, ET OSSA VESTRA QUASI HERBA GERMINABUNT – ISAI: CAP. 66, V. 14»; «vereis e folgará o vosso coração, e os vossos ossos brotarão como a erva»;

– na parede sineira, lado direito da fachada, por cima da janela inferior: «AO NEGOCIANTE PEDRO JOSÉ DA SILVA. NATURAL DE BRAGA, BENFEITOR QUE MAIS CONTRIBUÍU PARA A CONSTRUÇÃO DESTE TEMPLO. A CIDADE DE BRAGA»;

– na parede sineira, lado direito da fachada, por baixo da janela inferior: «A. 
D. MDCCCLVII DIE VERO X MENSIS AUGUSTI EXCELLENTISSIMUS AC REVERENDISSIMUS D. D. JOSEPHUS JOACHIM DE AZEVEDO E MOURA, ARCHIEPISCOPUS, ET DOMINATOR BRACARAE AUGUSTAE, HISPANIARUM PRIMAS, HANC ECCLESIAM IN HONOREM D. N. JESU CHRISTI CRUCIFIXI CONSECRAVIT, ATQUE IN EJUS ALTARI MAIORI, HAS RELIQUIAS INCLUSIT: EX LIGNO SS. CRUCIS, DE COLUMNA FLAGELLATIONIS EJUSDEM D. N. EX VELO BEATISSIMA VIRGINIS MARIAE, EX PALLIO SANCTI JOSEPHI SPONSI EJUSDEM B. V. ET EX OSSIBUS SS. APOSTOLORUM PETRI, PAULI, ANDREAE, JACOBI MAIORIS, THOMAE, JACOBI MINORIS, BARTHOLOMAEI, MATTHAEI, SIMONIS, THADDAEI, MATTHIAE, ET BARNABAE, XL ITEM DIES SINGULIS CHRISTI FIDELIBUS ECCLESIAM IPSUM DEVOTE VISITANTIBUS IN DIE ANNIVERSARIO HUJUS CONSECRATIONIS, QUI DOMINICA SECUNDA AUGUSTI QUOTANNIS CELEBRABITUR, DE VERA INDULGENTIA IN FORMA ECCLESIAE CONSUETA, CONCESSIT»; «No ano do Senhor de 1857 aos dez dias do mês de agosto o Ex. mo Snr. D. José Joaquim de Azevedo Moura, Arcebispo e Senhor de Braga Augusta, Primaz das Espanhas, consagrou esta Igreja em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado, e encerrou no seu Altar-Mor estas relíquias: do lenho da Santíssima Cruz, da coluna da flagelação do mesmo Nosso Senhor, do véu da beatíssima Virgem Maria, da capa de S. José esposo da mesma beatíssima Virgem, e dos ossos dos santos apóstolos Pedro, Paulo, André, Tiago Maior, Tomé, Tiago menor, Bartolomeu, Mateus, Simão, Tadeu, Matias, e Barnabé. Igualmente concedeu quarenta dias de verdadeira indulgência, na forma costumada da Igreja a cada um dos fiéis cristãos, que devotamente visitarem a mesma Igreja no dia de aniversário desta consagração que se celebrará todos os anos na segunda dominga de agosto»;

– por cima da porta lateral, voltada para o Hotel do Templo: «FOI POSTA A ÚLTIMA PEDRA EM 20 DE SETEMBRO DE 1811».

O Bom Jesus

Nasce a partir de uma montanha, envolta no simbolismo do encontro edílico com Deus.

O interior do templo, com planta em cruz latina, é composto por nave em abóbada de berço elegante e bem iluminado, transepto pouco desenvolvido com capelas nos topos, de perfil poligonal, capela-mor profunda e também de perfil poligonal e galilés fechadas, adossadas a cada uma das fachadas laterais. A nave é rasgada por seis janelas retilíneas, formando duplo clerestório, acedida lateralmente pelas galilés, fechadas, com portas de verga reta de molduras recortadas e remates em frisos e cornijas curvas, sendo iluminadas por dois óculos elíticos.

O cruzeiro é rematado por uma cúpula ornamentada pelas estátuas dos quatro doutores da Igreja, obra do escultor João Albertino Azevedo, e por um elegante zimbório na intersecção do transepto, onde sobressaem duas capelas, a do Santíssimo Sacramento e a das Relíquias.

Na capela da Relíquias destaca-se o corpo de São Clemente, trata-se de um soldado romano martirizado no século III depois de Cristo.

A lista dos bustos relicários do trono do retábulo de São Clemente, da esquerda para a direita e em ordem descendente: 1º degrau do trono: São João, Evangelista / São Lucas, Evangelista / São Marcos, Evangelista / São Mateus, Evangelista; 2º degrau e na mesma ordem, Sto. Isidoro de Sevilha / Sto. Anselmo de Cantuária / Sto. Anacleto / São Pio V / São Marcelo / Sto. Ambrósio / Sto. Antonino de Florença; 3º degrau mesma ordem, São Vicente Ferrer / São Martinho de Dume / São Basílio / São Joaquim / São Ioannis (Bispo) / São Agostinho de Hipona / São Bernardo de Claraval; 4º degrau mesma ordem, Sta. Margarida Cortona / Sta. Cristina de Bolsena / Sta. Luzia de Siracusa / São Francisco de Assis / São Roque de Montpellier / Sta. Rosália de Palermo / Sto. Inácio de Loiola / Sta. Doroteia / Sta. Teresa de Ávila; 5º degrau mesma ordem, Sta. Petronilha / Sta. Mónica / Sta. Clara de Assis / Sto. António de Lisboa ou de Pádua / Sta. Escolástica / São Boaventura de Bagnoregio / São Jerónimo de Estridão / Sta. Vitória de Roma / Sto. André Avelino / São Francisco de Sales; 6º degrau mesma ordem, Sto. António Abade / Santo Antão / São Francisco de Paula / São Lourenço / São Sebastião / São Lourenço / São Domingos de Gusmão / São Pascoal Bailão / São Filipe Neri / Sta. Eufémia de Calcedónia / Sta. Ana / Sta. Inês de Roma; 7º degrau mesma ordem, Sta. Bárbara / Sta. Francisca Romana / Sto. Aleixo de Roma (“homem de Deus”) / São Tomás de Aquino / Sto. António de Lisboa ou de Pádua / Sto. Alberto de Trápani / São Carlos Borromeu / Sta. Apolónia de Alexandria / São Pedro de Alcântara. A Basílica do Bom Jesus possui, ainda, duas relíquias do Santo Lenho, em local reservado, que antes estavam no topo do trono da Capela das Relíquias.

O transepto, à mesma altura da nave, é rasgado, no topo, por janelão retilíneo, tendo, num plano inferior, as capelas poligonais, com vãos retilíneos e óculos ovais em cada um dos panos, surgindo, no topo, fresta jacente. O transepto apresenta, nos topos, pinturas murais formando, sobre fundo vermelho, elementos geométricos e fitomórficos e, nas pilastras que o ligam à nave, surgem os púlpitos quadrangulares, com bacia de cantaria e guardas de talha com elementos dourados, tendo acesso pelo muro através de porta em arco abatido. Nas paredes laterais, superiormente, dois nichos de volta perfeita, contendo os quatro Doutores da Igreja (Santo Ambrósio e São Gregório Magno, no lado do Evangelho, e São Jerónimo e Santo Agostinho, no oposto).

Não podemos deixar, ainda, de observar no teto da abóbada a heráldica dos Arcebispos de Braga D. Rodrigo de Moura Telles e D. Jorge da Costa, bem como dos Papas Clemente XIV e Pio IX. Quer os dois Arcebispos quer os dois Papas, tiveram um papel decisivo para o Bom Jesus que hoje temos. Os Arcebispos, pelo papel na implementação e construção do que era e veio a ser o Bom Jesus, e os Papas pela concessão de graças espirituais a quem o visitasse.

No interior do templo clama a atenção o altar-mor, onde se encontra erguido um monte calvário nos mesmos moldes, ao que parece, do que já existia na igreja antiga deste santuário. A imagem de Cristo crucificado foi mandada esculpir em Itália pelo Arcebispo D. Gaspar de Bragança, em 1776. Além desta imagem, salientam-se mais duas imagens do «Bom Jesus na Cruz», no interior do templo, que, pelo seu simbolismo e valor patrimonial, chamam a nossa atenção, no capela do Bom Jesus (ex-votos) e na sacristia.

O altar-mor, construído sobre uma única pedra granítica, representa a cena do Calvário. O risco do retábulo da capela-mor é da autoria de Carlos Amarante e executado pelo mestre entalhador João Martins Coelho de S. Martinho de Sande.

Tanto o altar-mor, como o calvário (barroco) estão cobertos por um baldaquino dourado, sustentado por quatro imponentes colunas jónicas, com fuste em caneluras, onde se ergue a imagem de Cristo Crucificado. Um dossel, fechado por cortinas de damasco, resguarda esta imagem. Duas cruzes com o bom e o mau ladrão; Nossa Senhora, duas Marias e João Evangelista à direita (imagens classizantes); outra Maria à esquerda; Maria Madalena (barroquista) prostrada ante a cruz; o Centurião e oito soldados espalhados pelo monte.

Carlos Amarante é também o autor do baldaquino e foi executado pelo entalhador José Francisco Moreira Torres, sob o qual foi erguido o Monte Calvário concebido por Manuel Joaquim Álvares e Sousa Alão que também forneceu os modelos das figuras do monte calvário e que foram executadas pelo escultor José Monteiro da Rocha, graças à benemerência de Pedro José da Silva.

A capela-mor é rasgada por três janelas retilíneas. O retábulo desta capela está separado do cruzeiro por uma balaustrada de pedra. Os tetos da capela-mor, bem como do corpo da igreja, são em abóbada semicircular, dividida em partes por arcos de cantaria. Nas paredes da capela-mor estão pintados dois quadros de forma oval, que representam «Cristo dando vista ao cego» do lado do evangelho, e o «perdão da adúltera», do lado da epístola, pinturas assinadas por Pedro Alexandrino.

Há, ainda, no cruzeiro, dois altares com duas telas cada um: do lado da epístola «Cristo salvando Pedro das águas do mar» e a «venda de José do Egipto»; e do lado do evangelho «Cristo entregando as chaves a S. Pedro» e o «sacrifício de Isaac», telas da autoria de Pedro Alexandrino.

No eixo central da nave, o programa iconográfico apresenta temas da vida de Jesus: a expulsão, a tentação, as almas do purgatório, a Coroação de Maria.

O corpo da igreja de uma só nave, tem dois altares laterais defendidos por uma comprida balaustrada. Do lado do Evangelho, no altar junto do púlpito, encontra-se um painel que representa «Jesus Cristo ressuscitando o filho da viúva de Naim» (sob este painel encontra-se o quadro das «Almas do Purgatório»), e, no altar seguinte, outro painel que representa «Jesus Cristo convertendo a Samaritana» (sob este painel encontra-se o quadro da «expulsão de Adão e Eva do Paraíso»). Do lado da epístola, outros tantos, um representa «Jesus Cristo perdoando a Madalena» (sob este painel encontra-se o quadro «a coroação de Nossa Senhora») e o outro «Jesus Cristo a curar o leproso» (sob este painel encontra-se o quadro a «tentação de Adão»), telas, igualmente, de Pedro Alexandrino.

Lateralmente ao corpo da Igreja correm dois espaços significativos. Do lado esquerdo da nave a capela do Bom Jesus (ex-votos), onde sobressai a imagem do Senhor Agonizante, em tamanho natural, do primitivo templo situado no terreiro do Pelicano, mandada erigir por Dom Rodrigo, esculturada em Itália, bem como a imagem da Senhora da Dores ladeada por dois arcanjos. Do lado direito encontramos a sacristia sobrepujada de retratos dos seus benfeitores, entre os quais, o busto do Marquês de Marialva tela da autoria de Domingos Sequeira, o do Duque de Lafões e o do Bispo do Porto pintado por Rocquemont. Na sacristia sobressai a preciosa imagem de Cristo crucificado, com a invocação de Bom Jesus dos Navegantes. Feita em marfim, com quatro palmos e um quarto de altura, com a cruz e peanha de ébano, marchetada de marfim. Peça, igualmente, construída na Índia e oferecida ao Santuário, pelo Vice-Rei da Índia, militar e Governador Colonial Dom Diogo de Sousa. Está encerrada numa vitrina-oratório colocada sobre um arcaz.

O interior do templo é servido por duas portas laterais, rematadas por frontões semicirculares, em cujos tímpanos se recorda o início e conclusão da construção do templo. A decisão da congregação do culto divino e disciplina dos sacramentos, faculdade atribuída pelo Sumo Pontífice Francisco, dota a Igreja do Bom Jesus, na freguesia de Tenões, do título e dignidade de Basílica Menor. A elevação a Basília teve lugar no dia 5 de julho de 2015, em celebração solene presidida pelo Arcebispo Primaz de Braga Dom Jorge Ortiga.

O Bom Jesus do Monte, referência incontornável.